sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Evangelho de resultados

Conta-se que um chofer de táxi e um famoso Reverendo de Nova York, chegaram juntos
ao céu. Recepcionados por Pedro, logo o Reverendo quis saber onde ficava a sua “mansão”. Os dois foram conduzidos por ruas de ouro e prata, e, finalmente pararam diante de um verdadeiro palácio. Pensou o insigne pregador: “Deve ser a minha casa, afinal…”. Surpreso, ouviu quando Pedro disse ao pobre chofer de táxi: “Pode entrar querido, esta é a sua residência por toda a eternidade!”. Nosso Reverendo imaginou que se a de um pobre e anônimo chofer era tudo aquilo, a sua então, deveria ser algo inimaginável. Entra aqui, dobra ali, ele percebeu que o tamanho das casas foi diminuindo e as ruas foram deixando de ser ouro e prata e passaram a ser bronze, madeira, etc. De repente, Pedro para em frente a uma modesta casinha e diz: “Reverendo, por favor, entre. Esta é a sua morada por toda a eternidade”. Chocado e meio decepcionado ele diz não entender nada. Afinal, ele, famoso pregador de Nova York, estava em inferioridade diante de um modesto chofer de táxi!!! A explicação de São Pedro não demorou:

“Amigo”, disse Pedro, “você pregou a vida inteira um evangelho de resultados. Ora, vimos que enquanto você pregava, como resultado o povo dormia,e, o chofer de táxi, enquanto dirigia, o povo ORAVA!”

É uma anedota bem conhecida dos irmãos americanos e já bem divulgada aqui no Brasil. Resultado por resultado, o chofer tinha produzido coisa bem melhor que o grande pregador.

Hoje, vejo com preocupação, a quase idolatria dos resultados. Ministérios são avaliados sob a ótica do resultado quantitativo. Claro que queremos resultados e eles são Bíblicos. O que compromete, é quando o resultado é conseguido a qualquer custo, na base da apelação ou da afirmação de que “os fins justificam os meios”. Afinal, dizem os “hermeneutas”de plantão: A Bíblica diz: “Granjeai amigos com riquezas iníquas”!

No Reino de Deus, não apenas os fins devem ser santos e nobres, mas também as motivações, os meios. Isaías 32:8 diz: “O nobre projeta coisas nobres e na sua nobreza perseverará”. Bons resultados não justificam meios contaminados.

Tal concepção de ministério tem gerado ações ministeriais tremendamente gerenciais, metodológicas, executivas e empresariais, onde toda a avaliação é feita em números e quantidades. O ministério pastoral, devocional e pessoal está em crise e em baixa. Não dá Ibope.

Ora, se o resultado for o critério final de avaliação, vamos dar um sonoro viva para os Muçulmanos! Nenhum outro grupo religioso cresceu tanto e cresce tanto quanto eles. Se dinheiro for o critério final de avaliação ministerial, vamos dar um viva para a Máfia Siciliana, cujos cofres estão abarrotados.

O que pergunto é: Onde ficam os doentes, os velhinhos, e, todos os desprovidos de recursos e que já não podem produzir? Onde iremos parar com esta visão utilitarista de ministério? Numa visão assim, quem cuidará da velhinha doente que já não anda, não vê e não tem como dar polpudas ofertas? Gente assim interessaria aos “ministros”de hoje? Suavemente os valores do Sistema vão invadindo o meio cristão evangélico. A ambição, os super-relatórios, a megalomania, a competição pastoral (uma classe autofágica) o auto-elogio, o louvor próprio que muitas vezes beira o ridículo, alem de deselegante, fere a Palavra de Deus. O Apóstolo Paulo pedia que ninguém “pensasse de mim (dele) além do que convém”.

Resultados são muitas vezes um biombo, uma cortina, que cobre a total ausência dos valores do Senhor que não curvou-se diante do “tudo isso te darei se prostrado me adorares”. O que se busca hoje é o políticamente correto, o confete, a serpentina, o oba-oba, onde as “divindades eclesiásticas”, reinam. Sou de outro tempo. Tenho outras referências. Fui levado a Cristo pelo Rev. Antônio Elias, de saudosa memória. Um dos ministérios mais frutíferos deste Pais (não institucionalmente falando).

Diante deste “príncipes”, gente como João Batista seria idiota (desculpem a franqueza). Perder cabeça pela pureza da pregação? Dr. Stott afirma que temos que optar entre a popularidade e a fidelidade. São dois caminhos distintos. Os que cultivam apenas os resultados visíveis, estão preocupados em pregar o que o povo QUER ouvir e não o que PRECISAM ouvir. Dr. Shedd diz que os cultos evangélicos estão se tornando mero entretenimento, show. Mera diversão e um agradável passatempo.

O querido Caio Fábio afirma que a cada dia surgem mais “animadores de auditório”, que ele numa santa ironia chama de Gugus Liberatos ou Faustões dos púlpitos.

Amo o ministério, e, angustio-me em ver nosso Pais invadido por esta triste concepção de sucesso ministerial: O culto ao resultado!

Tendo resultado como critério final de avaliação, sou instado a cultuar determinado líder religioso brasileiro, que, em 32 anos saiu de uma singela funerária onde haviam cerca de 30 bancos para tornar-se um império mundial, com presença em quase duzentos Países. Considerando os resultados como justificativa final, este é um novo Messias, uma inteligência tão rara que diante dele todos os demais são simples “fichinhas”de jogos eletrônicos. Junto-me a meu amigo amado, Ariovaldo Ramos, quando pergunta: “O que fizeram com a Igreja de Cristo?”.

Felizmente ficou o registro das palavras do Senhor Jesus Cristo aos membros da sua equipe: “Mas, entre vós, não será assim”. Amém

Deus nos limpe os olhos e o coração nestes dias de uma Teologia da prosperidade (material), professada pelos que a adotam explicitamente e pelos que a adotam de forma maquiada, usando textos como pretextos.

Finalizo com minha oração ao Senhor da Igreja, para que nos purifique. Jamais subiu ao meu coração qualquer tipo de julgamento ou enquadramento de quem quer que seja. Cada um “examine-se a si mesmo”. Amo a Igreja do Senhor e vejo nela esperança para uma sociedade melhor.

Deus nos ajude com Sua infinita misericórdia.

Dom Alexandre Ximenes
Bispo da Catedral Reconciliação - Igreja Episcopal Carismática
Boa Viagem - Recife - PE.

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