terça-feira, 21 de setembro de 2010

MINHAS REAÇÕES

Estou estarrecida! O que está acontecendo neste país? Por que os episódios se sucedem e se avolumam da maneira que presenciamos e não há quem os impeça?

Por que aqueles que têm olhos não vêem, nem lêem; os que têm ouvidos não ouvem, e os que têm boca não falam?

A toda hora afloram ocorrências graves, sobejamente de interesse nacional que são banalizados, atenuados e até mesmo ridicularizados!... Há uma sequencia de fatos que demonstram desrespeito e desprezo tanto pelo Ministério Público como pelo cidadão comum. E tudo vai ficar por isso mesmo?

Será que perdemos a capacidade de nos indignarmos? Onde estão os “caras pintadas”? Onde estão aqueles que deveriam gritar “Moralidade Já”? Onde estão aqueles que apregoavam a implantação da ética, lisura, transparência e da coerência neste país? Onde estão aqueles que lutaram pela regeneração da política? Encontraremos poucos, muitos (dos poucos) tiveram que romper com suas origens para não serem tragados pela cartilha vigente. Parece que os limites éticos e morais se tornaram elásticos demais. Tudo é relativizado e contextualizado na nossa sociedade.

Os escândalos têm permeado a política de todos os lados. Não é privilegio de um ou de outro grupo, mas estão por ai e recebem diferentes denominações: Mensalões, do Caseiro Francenildo, dos Aloprados...

Estou surpresa! A insegurança não está mais afeta apenas às nossas idas e vindas a qualquer lugar. Ela nos atinge até mesmo quando estamos em repouso dentro de nossas casas. Surgem das máquinas que revelam dados sigilosos dos cidadãos comuns, dados estes que o estado brasileiro deveria se empenhar para manter velado e vetado, especialmente quando já se sabia que a documentação (procuração, assinatura e autenticação) que solicitava as informações era falsa. Estamos todos, você e eu, sujeitos a sermos vigiados e ameaçados, mesmo que isto viole os nossos direitos constitucionais?

Estou perplexa! Quando vejo que ferrenhos inimigos políticos de outrora, hoje compactuam com os mesmos interesses e se apóiam mutuamente. Quem mudou? O que mudou? Por que a mudança? Manter-se fiel às idéias e ideais é oferecer a cabeça ao cadafalso?

Estou triste! Quando vejo o horário eleitoral gratuito e as pessoas que se apresentam a cargos eletivos me pergunto: serão muitos delas capazes para governar, fiscalizar, elaborar leis justas em benefício do povo? A mim me parece que grande parte ali está porque, mesmo tendo consciência de que não está apta para o cargo, de tanto desacreditar nas promessas feitas por aqueles que as antecederam, julgam que poderão fazer melhor ou, então, estamos vivendo num grande circo!

Onde está o cumprimento da promessa de dar oportunidade a todos os brasileiros? Se isto é uma verdade, a garantia desse penhor deve passar necessariamente pelo caminho da educação. Mas o que constatamos? Há vagas não preenchidas nas bolsas de emprego por falta de qualificação profissional. Sobra colocação do peão ao engenheiro. O que aconteceu conosco? Planejamos mal o nosso futuro?

Funestamente somos um país de celulares e de analfabetos. Ocupamos um dos piores postos de classificação em educação na esfera mundial. As pessoas saem das universidades e muitas são incapazes de ler um texto, entendê-lo e analisá-lo. Facilitamos o ensino. Não mais admitimos repetição de ano escolar. Mascaramos os resultados.

Lembro-me que, há poucas décadas, meditei muito sobre o slogan de incentivo à leitura: “Quem não lê: não fala, não ouve, não vê”. Tristemente a estatística revela que 18,7% dos nordestinos são analfabetos, o que, lamentavelmente, resulta numa séria e grave conseqüência: estas pessoas têm escassos recursos para adquirir uma consciência crítica diante dos fatos e ocorrências. Não estaríamos vivendo a época do coronelismo moderno?

Nascida em 1900, minha avó faleceu aos 86 anos. Frequentou poucos anos de escola, mas até antes de morrer tinha um Português sem reparos e cantava não só o Hino Nacional Brasileiro sem erros, mas também o hino da França na língua daquela pátria (convém salientar que nunca foi aluna da Aliança Francesa).

Para onde foram as aulas de música nas escolas e as de Educação Moral e Cívica? Será que já somos um povo sensível o suficiente e civilizado o bastante para não precisarmos mais destes ensinamentos?

Estou amedrontada! Receio que a expressão da minha opinião, embora a Constituição me garanta esta prerrogativa, seja entendida como afronta (o que não considero, nem é minha intenção) e suscite retaliação, pequenez, represália.

Não quero me estender, nem me alongar mais. Outros aspectos da nossa sociedade hodierna poderiam ser refletidos aqui, mas acredito que o que escrevi já foi o suficiente para manifestar a minha preocupação e conter o meu desabafo.

Quero encerrar, contudo, dizendo que, como cristã, estou esperançosa! Devo lutar contra toda a desesperança. Deus está dirigindo a história. Acredito que algo novo vai acontecer, que o gigante adormecido vai se levantar, que um dia, não posso determinar o tempo, os valores que devem nortear uma sociedade justa, digna, fraterna e igualitária para todos serão final e definitivamente implantados em nosso país. Espero que as pessoas de bem e não aquelas que pretendem se tornar pessoas de “bens” governem nossa cidade, nosso Estado, nossa nação. A elas ofereço, desde já, as minhas orações.

Márcia Gasparini Garcia
Educadora e Cidadã Brasileira

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